Esqueça suas resoluções - construa um sistema
Em janeiro falamos sobre resoluções. No final, têm sucesso aqueles que constroem sistemas.
Na minha coluna mensal atual no Kölner Stadt-Anzeiger, explico por que a força de vontade sozinha não é suficiente e por que o desempenho sustentável, tanto no esporte quanto no trabalho, surge de rotinas claras e sistemas que funcionam.
O meu filho quer ser jogador de futebol profissional. Outro dia estávamos no carro depois do treino e ele perguntou: "Pai, como é que eu consigo isso?" Pensei um momento e disse: "Tens de desenvolver já hoje os hábitos dos melhores profissionais. Não um dia. Agora."
Penso em Cristiano Ronaldo. Com 40 anos ainda joga ao mais alto nível - não porque seja mais talentoso que todos os outros, mas porque há décadas mantém as mesmas rotinas: movimento, recuperação, alimentação, sono. Tudo sistematizado. Nada deixado ao acaso.
Desde o início do ano, o meu filho e eu cumprimos o nosso programa dos 300: 100 agachamentos, 100 flexões, 100 abdominais. Todas as manhãs. Sem discussão, sem exceções.
Isto encaixa bem nesta época. Início de janeiro. Os ginásios estão cheios, as resoluções são frescas. Em seis semanas isso vai mudar. A maioria terá desistido - não porque não quisessem, mas porque apostaram na força de vontade.
A força de vontade é finita. Funciona uma semana, talvez duas. Depois vem o dia stressante, a constipação, a desculpa. E a resolução morre. Isto não é uma falha de caráter. É biologia.
O nosso cérebro está programado para a eficiência. O córtex pré-frontal - responsável pelas decisões conscientes - consome enormes quantidades de energia. Por isso, o cérebro transfere ações recorrentes para os gânglios basais, onde funcionam automaticamente. Estudos mostram que, em média, são precisos 66 dias até uma ação se tornar um verdadeiro hábito. Mas quando os caminhos neuronais estão estabelecidos, funciona quase sozinho.
O que funciona em vez disso: sistemas.
Charles Duhigg descreve em "The Power of Habit" o ciclo do hábito: gatilho, rotina, recompensa. O nosso cérebro automatiza processos que se repetem. Quem compreende este mecanismo pode usá-lo. O nosso programa dos 300 tem um gatilho fixo (acordar), uma rotina clara (os exercícios) e uma recompensa (a sensação de começar o dia já com uma vitória).
James Clear vai mais longe em "Atomic Habits": não se trata do que queres fazer, mas de quem queres ser. O meu filho não deve "treinar como o Ronaldo". Ele deve ser um profissional - já agora, na sua cabeça. Os exercícios são então apenas a consequência lógica da sua identidade. Um profissional não discute se treina. Ele treina.
O que significa isto para o mundo do trabalho?
Também aqui se aplica: sistemas vencem a força de vontade. Quem todas as noites anota três prioridades para o dia seguinte, não precisa de decidir pela manhã. Quem ouve um podcast especializado no caminho para o trabalho, aprende pelo caminho. Quem dedica dez minutos todas as sextas-feiras a refletir sobre a semana, melhora continuamente.
Isto parece banal. Mas é exatamente esse o ponto: os melhores sistemas são simples. Tão simples que não tens desculpa. A barreira tem de ser tão baixa que o cérebro não oferece resistência.
Jeff Bezos resume bem: "Good intentions don't work, mechanisms do." Boas intenções não bastam, mecanismos sim. O que vale para o indivíduo, vale também para as organizações. Quem como líder aposta em apelos, ficará desiludido. Quem estabelece mecanismos, muda comportamentos de forma sustentável e obtém assim outros resultados, frequentemente melhores.
Ontem de manhã, 6:00. O meu filho está ao meu lado na sala de exercícios. Sem queixa, sem negociação. Ele conta os agachamentos comigo. É simplesmente o que fazemos.
Esta é a diferença entre resolução e sistema. Resoluções são esperança. Sistemas são decisões que tomas apenas uma vez.
A questão não é se estás motivado. A questão é se tens um sistema.
De nada vem nada.