Por que Tenho que Voltar ao Escritório?
Trabalhar de casa nos deu liberdade—sem deslocamentos, menos distrações, mais autonomia. Mas agora, muitos estão sendo chamados de volta ao escritório. Por quê? O trabalho remoto não era "o futuro do trabalho" que todos abraçamos?
A resposta não é controle. É conexão. Inovação, cultura e colaboração não acontecem no isolamento. Elas precisam de espaços compartilhados, encontros espontâneos e um senso de pertencimento que o Zoom não consegue replicar.
Em "Do Nada Não Vem Nada," minha última coluna mensal para o Kölner Stadt-Anzeiger, eu exploro por que estar presente ainda importa, o que o trabalho remoto não consegue substituir, e como as empresas podem encontrar o equilíbrio certo em vez de cair no pensamento de tudo ou nada.
Por que tenho que voltar ao escritório cinco dias por semana? Ouço essa pergunta frequentemente, especialmente daqueles que experimentaram como o trabalho remoto pode funcionar de forma eficaz. De fato, para muitos, o trabalho remoto foi benéfico: sem deslocamento, mais tempo com a família e trabalho focado. No entanto, enquanto a produtividade individual frequentemente permaneceu estável, algo mais sofreu: nossa capacidade de inovar.
Muitas pessoas associam inovação ao desenvolvimento do próximo grande produto, pensando que é responsabilidade do departamento de P&D. Mas a inovação acontece em todos os lugares: pequenas melhorias, novos métodos de colaboração e práticas de liderança. O pensador de gestão Gary Hamel, conhecido pelo seu livro Humanocracy, argumenta que a inovação não deve se limitar a poucos escolhidos. Todos deveriam ter a oportunidade de contribuir com ideias e iniciar mudanças—não apenas uma vez por ano, mas todos os dias. Inovações também surgem no marketing ou no atendimento ao cliente, geralmente através de conversas diretas, mudanças de perspectiva ou discussões para resolver problemas. Essas interações essenciais frequentemente desaparecem quando todos trabalham remotamente.
Um aspecto crítico é a serendipidade: o surgimento de grandes ideias através de encontros casuais. As melhores ideias frequentemente vêm de interações informais na máquina de café, nos corredores, após reuniões ou no caminho para o almoço. Tais encontros espontâneos raramente acontecem quando se trabalha de casa. Claro, 100 por cento de trabalho remoto pode funcionar, mas apenas em circunstâncias especiais. Equipes pequenas e digitalmente maduras às vezes conseguem gerenciar isso. No entanto, isso raramente é realista em organizações maiores que têm muitos funcionários novos, interfaces e necessidades de coordenação.
A questão não é escolher entre escritório e casa. É encontrar o equilíbrio certo: Quantos dias são razoáveis e para qual propósito? Eu defendo três a quatro dias por semana no escritório, desde que esse tempo seja usado de forma eficaz. O objetivo não é passar o dia em videoconferências, mas sim se envolver em trocas, aprendizado coletivo, colaboração, reuniões espontâneas e fomentar um senso de pertencimento. Funcionários novos especialmente se beneficiam disso, já que a integração remota frequentemente permanece superficial e a mentoria verdadeira é escassa.
Naturalmente, existem desafios: algumas empresas reduziram o espaço de escritório ou experimentaram crescimento significativo. Isso exige conceitos inteligentes como compartilhamento de mesas, dias de equipe ou modelos híbridos. A presença tornou-se crucial novamente—não por um desejo de controlar, mas por convicção genuína.
Vamos também abordar o privilégio: Muitas pessoas—médicos, enfermeiros, artesãos, vendedores—nunca tiveram a opção de trabalhar de casa. Para eles, flexibilidade é algo inédito. É, portanto, ainda mais importante que utilizemos conscientemente a liberdade que temos. Às vezes, apenas um dia de home office por semana ajuda significativamente a equilibrar família e vida profissional, particularmente para pais.
Outro ponto importante: Aqueles que exigem 100 por cento de trabalho remoto devem considerar se seu trabalho poderia ser feito de forma mais barata em outro lugar—em outra cidade ou até mesmo em outro país. Se a localização não importa, por que pagar salários de Munique ou Colônia? As empresas devem ser economicamente prudentes. Funcionários sem vínculos fortes com sua empresa rapidamente se tornam um fator de custo. E o que as empresas fazem com custos? Elas os otimizam.
Essa perspectiva é dura, mas realista. Daí minha posição: Para a maioria das grandes empresas, a presença deliberada é necessária—não porque os líderes desejam controle, mas porque cultura, inovação e senso de pertencimento se desenvolvem melhor dessa forma. Empresas como Amazon e Apple não impõem presença no escritório sem razão; elas fazem isso estrategicamente. O sucesso sustentável exige mais do que boa conexão Wi-Fi; requer conexões humanas significativas. Do Nada Não Vem Nada