"Host" em vez de "Servant"! Nova metáfora para Liderança Ágil?

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Sohrab Salimi
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O que significa ser um "líder"? E o que significa ser um "líder" em um contexto ágil? Essa pergunta fundamental é feita regularmente por muitas pessoas nas mais diversas situações: desde a pequena startup até as grandes organizações, todos tentamos descobrir como implementar um modelo sólido de liderança.

Na verdade, a liderança é fortemente dependente do contexto e está muito ligada às competências pessoais de cada indivíduo. Um modelo de liderança que determina como alguém deve se comportar em tal função tem, portanto, seus limites. Mas e se você pudesse se inspirar em uma metáfora para se tornar um bom líder? Ela precisa ser simples o suficiente para ajudar na decisão sobre o que fazer em qual contexto, e abrangente o suficiente para ter uma resposta adequada para a maioria das situações que você pode encontrar.

Quando se trata de liderança, metáforas não são novidade. Neste artigo, começamos com uma metáfora muito conhecida, o "Líder Servidor". Depois, apresento uma nova metáfora da literatura de gestão, que é mais diversificada e conhecida como "Host Leadership". Na minha opinião, ela é mais útil para uma organização ágil moderna.

Servant Leadership: uma boa ideia que tem seus limites

No Scrum, Scrum Masters e Product Owners são chamados de "Servant Leaders" – ou seja, líderes servidores: mas o que isso realmente significa? O que está por trás dessa designação e o que isso significa concretamente para o dia a dia de um Scrum Master?

Essa é a pergunta que mais ouço no meu trabalho de consultoria. Pesquisei a literatura sobre Scrum Masters e sua relação com o Servant Leadership e dificilmente se encontra mais do que uma conexão fraca entre os dois conceitos. Claro, existem vários artigos sobre o que um Scrum Master como Servant Leader deveria fazer. Mas são principalmente opiniões pessoais dos autores, que muitas vezes não são realmente rastreáveis até a ideia original de Servant Leadership. O que realmente significa, cada um precisa descobrir por si mesmo. Certamente podemos conectar esse termo com os valores do Scrum e Agile, mas ainda assim há poucas informações práticas sobre o que um Servant Leader deve e não deve fazer em um ambiente ágil.

Entender corretamente o termo e suas implicações concretas é um grande desafio para muitas pessoas. Isso afeta especialmente todos aqueles que antes estavam em uma posição de gestão e, pelo menos no trabalho inicial com métodos ágeis, ainda precisam prestar contas às camadas superiores de liderança, enquanto ao mesmo tempo devem "servir" suas equipes.

De onde vem o termo "Servant Leadership"?

O termo – uma metáfora para ser um líder – vem dos trabalhos de Robert Greenleaf e serviu nos anos 1970 como descrição de como um líder deveria se comportar. Ele foi inspirado pela narrativa "A Jornada ao Oriente" de Hermann Hesse. Nela, um grupo de pessoas viaja junto. Graças à capacidade de seu servo Leo de fortalecer a coesão, o grupo permanece unido (diríamos que eles "formam uma equipe"). Quando Leo desaparece um dia, o grupo entra em uma crise grave.

Greenleaf vê essa abordagem como um desafio, em total contraste com a opinião da época de entender a liderança como um ato heroico: o rei, o guerreiro forte e figuras similares. Ainda hoje, a metáfora do líder como herói é muito comum e tão profundamente enraizada em nossa cultura que mal temos consciência disso: pense em um filme de ação típico, onde o personagem principal possui qualidades de liderança carismática e faz o papel de herói até vencer no final. Claro, esse líder possui muitas qualidades maravilhosas (compaixão, natureza agradável, generosidade etc.), mas ainda é uma figura heroica que outros seguem, e não uma que serve aos outros. Isso não é exatamente o que buscamos na agilidade, afinal queremos equipes autodeterminadas.

A metáfora do Servant Leadership tornou-se muito popular nos últimos anos e merece se tornar ainda mais conhecida e popular, especialmente porque vira a pirâmide hierárquica de cabeça para baixo de uma forma extremamente provocativa.

Na minha opinião, no entanto, ela também encontra alguns limites:

Como servo, não tenho poder de decisão. Isso não é bem compatível com as responsabilidades típicas dentro de uma organização. E o que devo fazer quando a equipe toma uma direção que levará a problemas? Então não tenho autoridade para detê-los. Esse ponto é basicamente um mal-entendido do trabalho de Greenleaf – o Servant Leader pode ser um líder, ele deve ajudar as pessoas a crescer, em vez de se concentrar na "acumulação e exercício de poder".
Como posso liderar sendo um servo? A representação histórica de funções similares também não é muito útil: pense, por exemplo, em Sancho Pança e Dom Quixote. O servo é mais esperto e melhor informado que seu mestre – não é uma visão muito valorizadora de um (Scrum) Master!
No Scrum Guide, o papel do Scrum Master é descrito assim: "ele é responsável por garantir que o Scrum seja compreendido e implementado. Os Scrum Masters fazem isso garantindo que a equipe Scrum siga a teoria, os métodos e as regras." Mas como alguém pode ser "responsável" se não tem autoridade? E se eu tiver autoridade, não me torno novamente um gerente autoritário?
Embora eu acredite que o Servant Leadership seja um passo na direção certa, na minha opinião, talvez deixe mais perguntas em aberto do que resolve. Sim, é uma boa metáfora – certamente melhor que a do herói. Mas não é abrangente o suficiente para ser particularmente útil no dia a dia dos negócios. O conceito "primeiro servir, depois liderar" simplesmente não fornece informações práticas suficientes sobre como agir hoje, em sua equipe, em sua organização etc.

Esses limites já foram discutidos e criticados em várias fontes. Em muitas organizações, por exemplo, existem estruturas de responsabilidade que não são compatíveis com o conceito de um Servant Leader. O que o "Servo" deve fazer quando o "Mestre" segue uma direção claramente errada? Nos últimos anos, surgiram várias outras metáforas para liderança que podem ser resumidas sob o nome de "Liderança Pós-heroica", pois todas refutam o modelo do herói e ao mesmo tempo tentam propor um modelo prático para organizações que se aproxime do Servant Leadership.

Uma metáfora melhor: Host Leadership

Uma alternativa muito interessante foi desenvolvida recentemente por Marc McKergow e Helen Bailey, que a chamam de "Host Leadership". Nela, o líder não é nem um herói nem um servo. Ele ou ela é um anfitrião (em inglês, host), ou seja, alguém que recebe e entretém convidados. Como anfitrião, temos tarefas e deveres: preparar um bom ambiente para nossos convidados, participar do que acontece e proporcionar aos convidados um bom momento. Um anfitrião também tem certos direitos: escolher os convidados, determinar as regras e limites, bem como verificar seu cumprimento. Ao mesmo tempo, ele naturalmente depende da participação ativa dos convidados no evento.

Essa mistura de autoridade e deveres é, na minha opinião, uma metáfora muito mais abrangente e eficaz, especialmente para Scrum Masters, mas também para Product Owners e outras posições de liderança em Agile: nesses papéis queremos ter um bom ambiente de trabalho para as equipes (os convidados), onde os pré-requisitos necessários já estejam organizados. Participamos do evento junto com os membros da equipe, os apoiamos e somos simultaneamente apoiados por eles. Mas também ainda temos obrigações para com a organização com a qual trabalhamos, então temos o direito de estabelecer algumas regras ou limites que são pré-requisito para um ambiente de trabalho civilizado. Acredito que essa metáfora dá uma "alma" ao entendimento geral de que a liderança deve ser contextual.

Desde que conheci essa metáfora há alguns anos, tenho usado constantemente em meus cursos e no acompanhamento de líderes ágeis. Tenho a impressão de que ela oferece uma base melhor para falar de forma contextual sobre o que podem fazer em seu trabalho: conseguem entender muito melhor quais são suas possibilidades e que não se trata apenas de servir, mas de entender, considerando o contexto, o que é necessário para a equipe avançar.

Como explicação para Host Leadership, gosto de usar uma festa como exemplo: Como anfitrião, você precisa cuidar de comida, bebidas, música etc. Você quer apoiar seus convidados, porque quer dar uma festa incrível da qual as pessoas gostem de participar. No entanto, você também é responsável por garantir que tudo aconteça de acordo com certas regras, para que seja uma reunião civilizada. Se alguém ultrapassar os limites, por mais flexíveis que sejam, como anfitrião você pode precisar intervir e garantir que o resto da festa não seja prejudicado pelas ações de indivíduos. Isso pode exigir "command-and-control actions" (comandos e controle).

Aqueles em posições de "liderança" com quem trabalho (muitos são Scrum Masters e Product Owners, mas alguns também são gerentes) reagem muito positivamente a essa metáfora, pois ela lhes é familiar e conseguem transferi-la muito bem para seu trabalho pessoal. Além disso, ela os ajuda a encontrar mais possibilidades criativas para lidar com as pessoas.

Host Leadership: Papéis e Posições

A ideia básica do Host Leadership, segundo McKergow e Bailey, é que um "Host" pode assumir diferentes papéis para implementar um modelo de liderança contextual:

  1. "Iniciador" – dá o impulso inicial para algo que talvez se torne uma iniciativa maior.
  2. "Convidador" – convida todas as pessoas relevantes para participar de nossa ideia.
  3. "Criador de Espaço" – cria um ambiente (físico e emocional) onde algo realmente acontece.
  4. "Guardião" – define e protege o ambiente que criamos, deixando pessoas entrarem e saírem conforme necessário.
  5. "Conector" – junta pessoas que de outra forma não trabalhariam juntas, possibilitando conversas úteis.
  6. "Co-Participante" – é uma parte importante do sistema que criamos e não apenas um Criador.

Cada um desses papéis pode ser combinado com uma das quatro posições seguintes:

  1. "No palco" – você está no centro das atenções.
  2. "Entre as pessoas" – você é um entre muitos.
  3. "Na varanda" – deixamos o evento acontecer, observamos, aprendemos e estamos – se necessário – prontos para intervir.
  4. "Na cozinha" – fazemos todos os nossos preparativos.
    Cada combinação de papel + posição é um ponto criativo em nosso trabalho como líder e a arte é escolher a combinação mais produtiva para nossa situação.

Aqui estão alguns exemplos:

  • "Criador de Espaço" + "No palco": Explicamos aos nossos ouvintes o propósito da nossa reunião.
  • "Conector" + "Entre as pessoas": Devido ao nosso conhecimento sobre a organização, sugerimos que uma certa pessoa fale com alguém de outro departamento, porque ele/ela talvez possa ajudar com um problema específico.
  • "Co-Participante" + "Na cozinha": Preparamos nossas ideias e argumentos para a reunião do dia seguinte.

E agora alguns exemplos menos óbvios:

  • "Criador de Espaço" + "Na varanda": Você é apenas um observador em uma reunião e influencia (muitas vezes involuntariamente) o comportamento dos outros através de sua postura e linguagem corporal. Você já participou de uma reunião onde seu chefe estava de mau humor, talvez porque tinha problemas pessoais?
  • "Guardião" + "Na cozinha": Pensamos sobre quais são nossas opções para proteger a equipe quando uma pessoa está perturbando o desempenho da equipe.
  • "Convidador" + "Na varanda": Por exemplo, você define um certo prazo para uma tarefa: enquanto apenas observamos, é um convite indireto para se concentrar em alcançar resultados no menor tempo possível.

Host Leadership é apenas uma metáfora. É a descrição de uma atitude como líder. O verdadeiro valor está no modelo mental com o qual você pode encontrar a solução adequada para seu próprio problema. É uma ferramenta de reflexão (sozinho ou em grupo de trabalho) sobre quais opções você tem e como pode expandí-las.

Host Leadership não é uma coleção de receitas

Se você está procurando soluções já adaptadas aos seus problemas concretos, talvez não seja a ferramenta certa para você. Essa metáfora é mais projetada para inspirá-lo do que para guiá-lo.

Para mim, a diversidade é a maior vantagem do Host Leadership: através da combinação de papéis e posições, você tem muito mais possibilidades de reflexão do que com o Servant Leadership. Além disso, quase todos nós podemos entender e aplicar diretamente essa diversidade, já que o conceito de anfitrião está firmemente ancorado em nossa cultura. Um ponto adicional é que, embora existam diferentes tipos de anfitriões em diferentes culturas, o objetivo real é sempre muito semelhante. Isso significa que essa metáfora descreve uma atitude que é automaticamente adaptada da maneira mais eficaz à cultura específica.

Na prática: aprender liderança contextual com a ajuda de papéis e posições

Quando trabalho com Scrum Masters e Product Owners, apresento o conceito dos diferentes papéis e posições e deixo que elaborem em uma espécie de workshop o que cada combinação significa para eles na prática e como poderiam aplicá-la. Isso permite que descubram como têm liderado suas equipes até agora e quais comportamentos alternativos poderiam ser mais produtivos. Ao mesmo tempo, também alivia a pressão de ter que "fazer" algo como líder. Especialmente a posição "Na varanda", ou seja, a capacidade de deixar as coisas acontecerem, é uma experiência valiosa para muitos que entram em contato com esses conceitos.

Aqui estão alguns exemplos do que os participantes descobriram nos workshops:

  • "Convidador" + "No palco": Apresentar um projeto e perguntar quem gostaria de estar na equipe do projeto.
  • "Criador de Espaço" + "No palco": Apresentar um projeto de forma que inspire

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