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Deixa-me ser claro: não estou dizendo para nunca cooperar. Parcerias podem ser valiosas – quando são desenhadas para construir competência, não criar dependência.
A diferença é simples: estão te ensinando a pescar, ou estão pescando por você?
Parcerias do tipo "pescar por você" se parecem com isto:
- Você traz um exército de consultores para implementar soluções de IA
- Eles constroem os sistemas, escrevem o código e tomam as decisões
- Suas pessoas assistem da arquibancada
- Quando os consultores vão embora, sua organização não consegue manter o que foi construído – então você os traz de volta
Esse modelo beneficia o consultor, não você. Gera receita recorrente para eles e dependência estrutural para você. Pior ainda, desmoraliza suas próprias pessoas. Já ouvi líderes dizerem: "Às vezes tenho a sensação de que minha equipe não consegue mais fazer nada sem consultores." Isso é desamparo aprendido em escala organizacional.
Parcerias do tipo "ensinar a pescar" são diferentes:
- Consultores trabalham junto com suas equipes, não no lugar delas
- Eles treinam suas pessoas em ferramentas, frameworks e técnicas
- Priorizam transferência de conhecimento sobre velocidade de entrega
- O sucesso deles é medido pelo quanto sua competência interna cresce, não pela quantidade de trabalho que eles fazem
Esse é o modelo que usamos na Agile Academy. Não trazemos um exército. Trazemos 1-2 pessoas que constroem coisas junto com suas equipes. Ensinamos enquanto trabalhamos. Atuamos como sparrings, não como especialistas que comandam. E nosso objetivo é que suas pessoas possam assumir o próximo projeto sem nós depois de 6-12 meses.
A filosofia vem da minha formação médica: See one, do one, teach one. Primeiro você observa. Depois faz com orientação. Depois ensina para outra pessoa. É assim que competência se multiplica.
Por que empresas escolhem o modelo de dependência? Muitas vezes porque os tomadores de decisão não acreditam que suas pessoas conseguem aprender. Essa falta de Growth Mindset cria a dependência que torna os consultores necessários em primeiro lugar.
"Nosso pessoal não é técnico o suficiente" é a objeção. Mas não precisam ser. A interface da IA é linguagem natural. Se suas pessoas conseguem articular o que precisam, conseguem aprender a fazer a IA entregar.
O tipo certo de parceria acelera seu aprendizado. O tipo errado o substitui.
Uma editora europeia de 400 anos oferece um contra-exemplo convincente. Quando o CEO decidiu abraçar a IA, o mandato foi claro: tornar-se uma empresa de IA. Não contratar consultores de IA. Não fazer parcerias com empresas de IA. Tornar-se uma empresa de IA. Isso significava que todo mundo precisava se desenvolver. O CEO criou oportunidades de aprendizado e exigiu que as pessoas as aproveitassem. Não através de programas de treinamento de meses, mas através de trabalho real com ferramentas de IA em problemas reais. É uma das estratégias de IA mais agressivas que já encontrei. E é baseada em competência interna, não em dependência externa.
A maioria das empresas vai escolher um caminho do meio – construir competência interna e fazer parcerias seletivas para acelerar. A chave é saber no que prestar atenção. Veja como reconhecer a diferença entre parcerias que constroem competência e armadilhas de dependência:
Sinais de alerta para parcerias que criam dependência:
- Grandes equipes de consultores sem exigência de envolvimento do time do cliente
- Plataformas proprietárias que te prendem no ecossistema de um fornecedor
- Contratos que se renovam indefinidamente sem plano de transferência de competência
- Consultores que acumulam conhecimento em vez de compartilhar
Sinais positivos para parcerias que constroem competência:
- Equipes pequenas (1-3 pessoas) trabalhando de forma integrada com suas equipes
- Métodos transparentes e ferramentas open-source
- Marcos claros para redução gradual do envolvimento dos consultores
- Foco explícito em treinamento e capacitação
No fim das contas: faça parcerias quando isso acelerar seu aprendizado. Não faça parcerias quando isso substituir seu aprendizado.